Um pouco de um monte de coisas sobre artes, música, enfim, cultura… Seja ela útil ou não!

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A arte e a realidade

Ando refletindo muito sobre a qualidade do que vem sendo produzido pelos artistas por conta da frustração após sair de algumas exposições e essa reflexão se intensificou ainda mais depois de ler um texto do Ferreira Gullar, publicado pela Folha de São Paulo, a respeito do conteúdo da arte contemporânea exposta na Bienal de São Paulo. O que tenho observado é que há uma certa superficialidade em relação aos trabalhos apresentados pelos artistas que se utilizam de temáticas banais e corriqueiras, porém de forma crua como se não passassem de uma extensão do que se vê na TV e se lê nos jornais.

A arte enquanto arte em seu conceito em si, subverte a realidade, inventa e transforma o real. Extremamente sensorial, característica das vanguardas como o Cubismo, que trabalha com distorções e elementos geométricos, usando também elementos da realidade na tela para trazer o real para a “imitação”, a releitura do que é tido como real (Cubismo Sintético). Em contrapartida, a arte que temos hoje baseia-se no conceito de levar as pessoas a conceberem que só o que é real (no sentido literal) é considerado arte.

Assim, parafraseio Gullar que diz no texto acima citado, “ao substituir as significações simbólicas pela exposição pura e simples dos fenômenos reais, abre-se mão da capacidade humana de criar um universo imaginário”, pois ao menos a impressão que tenho é que tudo está muito evidente, não somos conduzidos na maioria das vezes a construirmos uma idéia, um conceito sobre tal obra. Está tudo muito fluído. Ultimamente, dificilmente surpreendo-me com algo, a arte está se tornando uma coisa maçante e muitas vezes sem criatividade. Tudo isso, devido também a falta de originalidade em relação ao uso das novas tecnologias em prol da produção artística.

Luana Medeiros

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Por uma especialização maior e uma generalização menor

É comum encontrarmos resenhas críticas a respeito de qualquer elemento ligado às artes, desde um filme que estreou, um álbum ou turnê nova, um livro que foi lançado, uma exposição que abriu, enfim, sobre tudo. Hoje temos resenhas nos meios de comunicação mais simples em relação ao acesso, como os jornais, até revistas especializadas voltadas para um público mais segmentado.

Mas, uma pergunta que me faço é: com que base um crítico emite um parecer a respeito de tal “coisa”? Pode soar meio leiga esta questão, uma vez que a resposta é clara e objetiva: ele estudou, conhece os elementos que fazem de tal “coisa” boa ou não, substanciosa ou não. Só que não concordo com essa visão de que se a crítica não elogiou nem rasgou seda o produto não é bom. Até porque crítica é um ramo que sempre me frustrou profundamente, pois todos os filmes e álbuns que mais apreciei sempre foram malhados por ela e o contrário também já ocorreu.

Contudo, não acho que as críticas sejam de todo más, apenas acredito que um crítico deve se especializar em uma só vertente ou em um só gênero, assim poderia filtrar as informações e discursar com maior propriedade sobre tal tema. Falo isso porque a impressão que tenho é que a crítica atual é formada em conceitos muito genéricos de um todo, não sabendo analisar o que foge de suas áreas específicas, além de que ainda há a velha e sempre recorrente questão da relatividade dos gostos e apreços, nem sempre o que me agrada irá agradar ao outro.

Luana Medeiros

O caminho musical contemporâneo

Música é algo que agrada a todo ser humano, seja ele de qualquer etnia, religião, sistema econômico ou cultura. Não importa o estilo que lhe atrai, nem tampouco, a vertente. Aqui se discuti a qualidade da música que nos vem sendo apresentada. Seja Rock, Pop, MPB, Funk, Forró, Axé e tantos outros estilos mais, o que é fato é a degradação e a má qualidade dessa música, tanto em letra quanto em melodia.

O que era o Funk tempos atrás? Falamos, primeiramente, desse estilo por permitir uma análise mais ampla e melhor percepção da enormemente perceptível decadência, aqui sendo empregada de maneira relevante a redundância, por ser o Funk em sua original concepção uma música com swing, levada dançante, agradável, tendo como símbolo máximo e percussor James Brown. E, hoje, o que conhecemos por Funk é uma batida quase que sem originalidade (em sua maioria cópias mal representadas de “Brown”) abrigando e animando letras com conteúdo pornográfico e de alusão a facções do narcotráfico, deixando para trás as letras que alertavam a sociedade para as desigualdades e injustiças sociais.

Um outro estilo em que se pode visualizar nitidamente essa transformação é o Rock. Não pelo lado decadente como se deu essa transformação no Funk, mas no Rock foi uma mudança suave que se deu mais pelo lado comercial da coisa. O que se conhece de Rock, atualmente, é uma levada mais romântica sempre com a mesma temática do amor não-correspondido ou a revolta do rebelde em relação ao sistema vigente no país. Hoje é tudo puramente comercial e desprovido da ideologia contida no estilo nas décadas de 70 e 80, por exemplo. O Punk, uma vertente do Rock, tinha aquela ideologia, aquela filosofia de que a nação poderia transformar a situação. O Progressivo, outra ramificação, buscava mixar elementos, transcender a alma e, assim, elevar os pensamentos através de seus riffs.

Enfim, em todos os estilos é possível observar essas mudanças como na MPB, que teria ela se transformado em “Música pra Pular Brasileira”? A questão é abordada como uma forma de atentar os cidadãos para a qualidade do que se ouve e se vale a pena mesmo incentivar essa enxurrada de lixo musical comercial. O que ouvimos é parte formadora de nossas ideias, pensamentos, concepções e, também, nos define e muitas vezes falam por nós. Então, o que devemos ter em mente é se aquilo que ouvimos, voluntariamente, diz mesmo algo, se tem essência, qualidade, acrescenta e atenta para a nossa realidade.

Luana Medeiros