Um pouco de um monte de coisas sobre artes, música, enfim, cultura… Seja ela útil ou não!

Arquivo por Autor

Como a campanha “Dumb ways to die” transformou um “tema chato” – segurança ferroviária – em algo interessante

maxresdefault

Criar uma campanha de conscientização e utilidade pública atrativa, que atinja e engaje o seu target, cumpra o seu objetivo e, ainda, gere repercussão não é tarefa das mais fáceis, mas que foi cumprida com louvor pela McCann Melbourne para o Metro Trains, da Austrália, por meio da campanha “Dumb ways to die”, case mais premiado da história do Cannes Lions, maior e principal festival voltado ao mercado da propaganda, em sua 60º edição, realizada em 2013, que conquistou nada menos que 5 Grand Prix, 18 Leões de ouro, 3 de prata e 2 de bronze, nas mais diferentes categorias – de filme a rádio, de relações públicas a marketing direto.

“Dumb ways to die” tinha um objetivo delicado: convencer o público – especialmente o jovem – a agir de forma mais segura próximo aos trens do metrô, evitando acidentes. De acordo com Chloe Alsop, Executivo de Marketing do Metro Trains, em Melbourne, na Austrália, não havia uma campanha voltada à segurança no metrô, somente alguns avisos para os usuários, mas nada que buscasse influenciar no comportamento de risco que eventualmente alguns deles tinham.

A partir daí, com base nas imagens e relatórios da equipe de segurança, Alsop e a agência perceberam que é muito difícil ser atropelado por um trem. Um comportamento errado ou descuidado por parte do usuário é necessário para que isso aconteça. Dessa forma, a intenção era fugir de uma campanha tradicional, buscando algo que não fosse percebido como publicidade.

Com uma divertida animação, que mostra diversas maneiras estúpidas de morrer, o resultado mostra que a estratégia deu mais que certo. O vídeo virou fenômeno mundial, sendo o vídeo de campanhas de utilidade pública mais compartilhado da história. ““Dumb ways to die”é algo que engaja as pessoas. Por meio da letra da música e da charmosa animação, a mensagem é passada com delicadeza. As crianças e jovens não têm medo de morrer, mas eles definitivamente não querem ser chamados de estúpidos por seus amigos”, pondera Alsop.

Além do curta, de 3 minutos, a iniciativa desdobrou-se em outras mídias e inspirou outras ações. Os sites dumbwaystodie.com SoundCloud possuem links para download da música; o  Tumblr da campanha reúne diversos GIF’s animados representado as maneiras de morrer; o jogo, para iPhone e iPad, desenvolvido pela própria McCann, em parceria com o desenvolvedor local Barrel Of Donkeys, pede que o jogador não permita que os personagens animados, que protagonizavam vídeo original, morram.

O metrô da Inglaterra se inspirou em “Dumb ways to die” para alertar os usuários sobre os perigos de não se comportar devidamente no transporte público. Assim como no filme australiano, os personagens não são poupados e morrem ao tentar segurar a porta do trem.

John Mescall, Diretor-Executivo Global de Criação da rede McCann, que na época da veiculação do trabalho, em 2013, respondia como principal líder criativo do escritório de Melbourne, em entrevista ao site Inspirad, fala sobre o processo criativo do case:

Acesse a playlist e conheça a infinidade de versões criadas a partir do vídeo original da campanha.

 

Anúncios

Apenas uma APRECIAÇÃO crítica

GUIA AFETIVO DA PERIFERIA

FAUSTINI, Vinícius

Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009.

183 páginas.

O Guia Afetivo da Periferia, de Marcus Vinícius Faustini, é um clássico e raro exemplar da exteriorização em forma de narrativa literária da memória afetiva que segue enraizada na existência do autor. Nele ele narra sua vivência e suas experiências na periferia carioca, em uma narrativa leve e descontraída que embala a leitura de uma forma cadenciada, tem ritmo e compasso.

Mais que uma narrativa de suas peripécias entre periferia, centro e zona sul, suas lembranças familiares, seus trajetos ferroviários, suas incursões noturnas no 839 rumo ao Cezarão, após dormir no banco do Souza Aguiar, suas investidas culturais sempre aliadas a sua “recessão econômica” recorrente, dentre outras imagens que nos são por ele narradas e ganham vida por meio de uma linguagem simples e, por isso, intimista. Sua exposição narrativa é aliada ainda a um apelo visual que torna o livro atrativo visualmente falando. Sua capa com imagens sobrepostas fazem um “link” perfeito com o título, remetendo as lembranças que nos chegam de forma fluída, inconstante e desordenada. Suas imagens internas ganham um tom pixelizado ao mesmo tempo em que o PB dá o ar nostálgico e saudosista de memórias e lembranças.

De uma maneira geral, o Guia Afetivo da Periferia traz a tona a realidade não só de inúmeros cariocas, mas também de um sem número de brasileiros. A mim, particularmente me remeteu a diversas experiências vividas, o que me deu a sensação de compartilhar de muitas peripécias ali citadas. O que apenas me deixou uma sensação de vazio foi a maneira como o livro foi finalizado, acho que merecia uma ponte entre aquelas experiências e as suas atuais realizações, como forma de reflexão em como estas contribuíram para a concepção do que hoje é o autor.

Luana Medeiros


O que aconteceu? O Viradão encolheu

Fim de semana passado aconteceu o Viradão Carioca, que está em sua 3º edição e é proveniente da Virada Cultural paulista que acontece desde 2005. O povo carioca foi contemplado com cerca de 50 horas de programação gratuita. Foram montados 3 grandes palcos (Arpoador, Quinta da Boa Vista e Bangu), pelos quais passaram nomes como Arnaldo Antunes, Fernanda Abreu, Belo, Luan Santana, Jorge Vercilo, Dudu Nobre, dentre outros.

O Viradão já se estabeleceu como evento fixo no calendário cultural do Rio de Janeiro. Mas, apesar da força que vem ganhando, visível na infraestrutura do palco e do som (Circo Arpoador estava impecável), acredito que esta edição deixou a desejar se comparada a do ano passado. A redução para apenas 3 palcos (mesmo que providos de uma infra de primeira) em pontos “isolados” da cidade fez com que, mesmo de forma indireta, houvesse uma segregação, visto que na edição passada locais como Praça XV, Rio das Pedras, Leme, Penha, Mangueira , Ilha do Governador etc participaram do evento abrigando palcos ou alocando em seus centros e lonas culturais atividades.

E, na minha opinião, não foi só a diminuição dos locais de atividades que fez dessa edição menos boa que a passada, mas também a oferta de atividades, a duração dos shows e a diversidade, ou a falta dela, em relação aos artistas participantes. O Viradão Carioca 2011, de fato, encolheu e foi muito seletivo. Me detenho apenas a comparar esta edição com a passada, sem entrar no mérito de comparação interestadual, uma vez que a virada paulista, além de ser a “mãe” da carioca, é e desconfio que sempre será infinitamente melhor que a nossa. Sampa nessa edição contou com a participação de inúmeras atrações internacionais, incluindo The Misfits, renomada banda punk americana, que só esteve por terras cariocas por conta de fãs que, ao saberem da vinda deles para a virada paulista, os trouxeram para show no Circo Voador resultante de mobilização.

Luana Medeiros


Quando Rock é apenas o nome que se tem

A dúvida que tomou conta de mim e habitou meus pensamentos essa semana que passou foi para que dia validar meu Rock Card. Pensava todo o tempo: Ai, meu Deus, e agorannn? Toda essa inquietude seria por causa de um line up incrível, que de tantas bandas boas e espalhadas por dias diversos, tornaria cruel a escolha por apenas um deles. Não, não e não. É justamente o contrário.

O Rock in Rio, que está em sua quarta edição, parece mais capenga que nunca. São 6 dias de festival e só desilusão. Primeiramente que já vinha me queixando que o festival deveria mudar de nome porque há tempos não era mais no Rio e muito menos Rock. Com a confirmação do line up da edição de 2011, ratifico ainda mais minhas convicções.

Houve quem criticasse a edição de 2001, falando que a programação estava ruim, aliada ainda ao acontecimento das garrafadas levadas por Carlinhos Brown, que foi escalado para tocar no palco principal na noite em que trazia a banda Guns n’ Roses como headline. Na minha opinião esse episódio foi “bem feito”, afinal onde a produção do line up estava com a cabeça ao colocar dois artistas de estilos e públicos completamente diferentes no mesmo line. Daria merda, claro. Mas, tirando esse incidente, a programação da terceira edição do festival, certamente foi a mais completa e coerente com os estilos musicais que compunham cada um dos dias.

Acho que o episódio das garrafadas deveria servir de alerta para que nessa edição não aconteça algo parecido, pois a forma como escalaram as bandas fez com que não se tivessem dias caracterizados por estilos como se é de costume fazer em festivais. Os line ups estão uma farofada só. O mais revoltante, no entanto, é o dia de abertura do Rock in Rio não ser ROCK e, sim, POP. Há quem diga que possa ser devido ao público brasileiro ser extremamente eclético e coisas deste tipo. Nãooooo. Tem como segmentar, há público para que o festival ganhe sua parcela de lucro, sim. Veja exemplos como Planeta Terra, Maquinária.

Enfim, é revoltante como um festival do porte do Rock in Rio não tenha competência ou know-how por parte da equipe responsável por organizar a programação para montar um evento condizente com o nome que carrega. Bons festivais apareceram por aqui (Vibezone, TIM Festival), mas sem mais nem menos foram extintos. O Brasil, de fato, ainda tem muito o que aprender com os grandes festivais que têm tradição como Lollapalooza, Glastonburry, Coachella, dentre outros.

Luana Medeiros


E lá se vai mais de meio século de “viralatice”

Passou-se mais de meio século desde que Nelson Rodrigues escreveu sua crônica a respeito do complexo de vira-latas que, nós brasileiros,temos e ainda o verbo permanece no presente. Nós, sim, ainda hoje possuimos esse estigma de precisar que haja um reconhecimento e validação externos para que consideremos algo nosso valoroso.

Na época, o tema/objeto utilizado pelo autor foi a seleção que ia para mais uma Copa do Mundo desacreditada. E, depois de tantos anos, o que mudou? Quase nada. Certo, ganhamos mais alguns títulos. Mas, em compensação ganhamos também piadas internas e externas com episódios como a perda do título na França justamente no ano em que o país anfitrião comemorava o centenário de alguma importante conquista, apesar de nossa seleção ter feito bela campanha. E o que dizer então da última Copa, na qual fizemos uma estreia vergonhosa mesmo pegando o adversário mais fraco. Não perdemos, mas deveríamos, assim como foi merecida nossa eliminação, que ainda acho que tardou a acontecer.

Quanto a cultura entristece-me tecer qualquer tipo de comentário, pois ainda somos vira-latas. É notória a evolução tanto técnica quanto em relação ao que vem sendo produzido e apresentado ao público. No cinema, por exemplo, várias obras de conteúdo e qualidade e também “blockbusters”, mas mesmo com indicaçõesao prêmio-mor do cinema, o povo brasileiro ainda se mantém relutante em prestigir o que é nosso.

A síndrome de vira-lata está no sangue, nem me atrevo a discursar a respeito de música. Porque não temos a cultura de festivais como tantos outros países é a pergunta que me faço constantemente. Resposta: sempre a espera pelo reconhecimento do puro-sangue, porque simplesmente o brasileiro não se garante, não acredita, nem muito menos ousa a conhecer e quiçá reconhecer o que tem.

Luana Medeiros


Linguagem e opinião

Opinião, ponto de vista, senso crítico. Há inúmeras denominações e sejam lá quais forem os vocábulos empregados para indicá-las o que, de fato, é curioso é que são nada mais que nossos pensamentos sobre determinados assuntos, pessoas ou situações.

Todo indivíduo tem suas próprias concepções e muitos fatores contribuem para o desenvolvimento do seu pensamento crítico, melhor dizendo, tudo e/ou todos com quem se relaciona. Seus sentidos, interações, arte, música, dança, esporte etc. Mas, a fala e a palavra aliadas ao visual (na maioria das vezes a união desses dois elementos otimiza os resultados) são ferramentas de valor, porque não dizer históricos, na construção de ideias individuais e coletivas.

Os textos, poemas e músicas têm grande peso e realizam de maneira sutil, e muitas vezes metafórica, essa função. A palavra é uma das formas de persuasão mais eficientes e, compartilhando do conceito de Wittgenstein, “sem a língua nós não poderíamos influenciar uns aos outros de determinadas maneiras”. Um dos exemplos desse poder persuasivo e contestador foi o uso de mensagens subliminares contra a ditadura por compositores da MPB em diversas canções, como Roda Viva, de Chico Buarque.

Luana Medeiros


Com 16 eu posso optar, mas só por votar

Presidente eleita e todas as manifestações e propagandas eleitorais findadas, gostaria de exteriorizar minha oposição e até indignação em relação ao voto opcional a partir dos 16 anos.

Aos 16 não é permitido tirar habilitação, não é autorizada a entrada em boates, determinadas casas de show, bares, salões de jogos, há classificação etária inapropriada para menores de 18 anos (ou seja, aos 16 você está fora), não é liberada a venda de bebidas alcoólicas, entre outras ações.

E quais as justificativas para isso? Bem, aos 16 anos você não pode ter habilitação porque não é um cidadão responsável para guiar e pode expor você mesmo e terceiros a qualquer situação de risco e, justamente, por ainda estar em construção de sua identidade não é “aconselhável” que frequente determinados lugares e assista ou tenha acesso a certos conteúdos, assim como também acarreta na degradação de sua personalidade e integridade física.

É uma total hipocrisia essa concessão e aparente exercício da democracia, uma vez que aos 16 anos você é proibido de tomar uma infinidade de atitudes, mas pode definir o futuro da nação. Mas, sim, é possível que sejam negados trocentos direitos e que se libere opcionalmente um dever que é um direito e vice-versa.

A pergunta que não quer calar é: será que ninguém se atenta para o real propósito da situação? É evidente que toda a campanha em prol do exercício do voto a partir dos 16 anos é a crescente necessidade de conquistar e ampliar mais e mais o eleitorado. A política se torna a cada dia mais lucrativa e a cada eleição surgem mais candidatos. Temos que refletir sobre o que de fato é direito e o que é dever.